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domingo, 20 de maio de 2018

O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (The Beguiled) EUA, 2017 – Direção Sophia Coppola – elenco: Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning, Colin Farrell, Oona Laurence, Angourie Rice, Addison Riecke, Emma Howard, Wayne Pére – 93 min.

NA TENTATIVA DE CONSTRUIR PERSONAGENS FEMININAS DENSAS, SOFIA COPPOLA ATUALIZA BRILHANTEMENTE UMA OBRA-PRIMA


O trabalho de Sofia Coppola (“Bling Ring: A Gangue de Hollywood”) na reconstrução deste filme, muito mais do que um simples remake, uma nova adaptação do livro, é notável logo na primeira sequência. Com a remoção de alguns acontecimentos que não influenciam em quase nada na trama principal, Coppola aproveita por contar a história do ponto de vista das mulheres que vivem e trabalham na escola. Dessa forma, além de permitir mais tempo de tela para cada uma delas, o que possibilita a construção de personagens mais profundas, a diretora oferece uma nova visão à obra.


Com “O Estranho Que Nós Amamos”, a diretora adapta o livro clássico de Thomas Cullinan, que já havia sido levado ao cinema na forma de uma produção de 1971, dirigida por Don Siegel, e estrelada por Clint Eastwood. Por mais alardeado que seja que Coppola se baseou na obra literária, a cineasta também usou como fonte o roteiro escrito por Albert Maltz e Irene Kamp para o filme original citado. Na trama, durante a Guerra Civil Americana, que partiu o país, um soldado ferido do Norte (papel de Colin Farrell) encontra abrigo num instituição para jovens mulheres sulistas, que sofrem durante o conflito.


O centro do longa é o jogo subjetivo de ódio, inveja e erotismo que atinge níveis psicodélicos enquanto é vivido pelo enigmático quadrado amoroso Nicole Kidman, Kirsten Dunst (a atriz que já protagonizou dois filmes da diretora), Elle Fanning (que já havia feito Um Lugar Qualquer com Sofia) e Colin Farrell – este último, o soldado resgatado. Em meio a um ambiente ultraconservador, em que a castidade dos modos ditos religiosos e as regras patriarcais do “bela e recatada” sob o comportamento feminino são impostas, a presença do soldado irá envolver a sexualidade das três mulheres protagonistas a tal ponto que atingiremos uma alucinada e macabra situação de psicodelia entre os quatro. Refilmagem digna de ser vista. 



domingo, 13 de maio de 2018

VINGADORES: GUERRA INFINITA (Avengers – Infinity War) EUA, 2018 – Direção Anthony Russo e Joe Russo – elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Don Cheadle, Chadwick Boseman, Zoe Saldana, Tom Hiddleston, Karen Gillan, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie, Idris Elba, Sebastian Stan, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Josh Brolin, Chris Pratt, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, William Hurt, Sean Gunn – 149 minutos 





sábado, 12 de maio de 2018

GUERRA DE INVERNO (Winter War) França, 2017 – Direção David Aboucaya – elenco: Laurent Guiot, Laurent Cerulli, Benoit Davin, Manuel Gonçalves, Brian Messina, Tommy Lee Baïk, Naccari Natale, David Aboucaya, Laurent Aboucaya, Bastien Calou, Adrien Caus, Nicolas D. Coiffard, Corvis, Philippe Coste, Maxence Leurent, Sonia Pérez, Anthony Wauters – 140 minutos

         O LONGO INVERNO DE 1945 FOI DEVASTADOR PARA TODOS ELES  


Era janeiro de 1945. O primeiro regimento francês de paraquedistas junta-se a uma unidade norte-americana para lutar e libertar a região da Alsácia, na França. Uma Divisão Aliada deve tomar a floresta que limita a cidade de Jebsheim, vários dias antes do ataque que mais tarde seria chamado de “Stalingrado Francês”. Prisioneiros do frio, da neve e das duras condições do inverno, e bombardeados pelas forças alemãs, os soldados franceses e americanos aprendem a violência e o inferno da Segunda Guerra Mundial. Nessa luta pela liberdade e sobrevivência, eles enfrentarão um inimigo inesperado e aterrador. Com uma fotografia deslumbrante e de tirar o fôlego, com cenas espetaculares e de eletrizante ação, este drama francês apresenta um capítulo triste e doloroso de um episódio que marcou o fim do conflito mundial, com destaque para as atuações de todo o elenco e uma história repleta de tensão e antagonismo. Merece ser conferido. Muito bom!!


sexta-feira, 11 de maio de 2018

O REENCONTRO (Sage Femme) França / Bélgica, 2017 – Direção Martin Provost – elenco: Catherine Deneuve, Catherine Frot, Olivier Gourmet, Quentin Dolmaire, Mylène Demongeot, Jeanne Rosa, Jaques Mechelany – 117 minutos
    COMOVENTE, GRACIOSO E CHEIO DE POESIA. UM DUO EXCEPCIONAL

Martin Provost conta muito mais do que uma reconciliação através da ternura. Com Claire e Béatrice, ele fala sobre a importância de buscar sua própria felicidade: saber quem nos apoia, quem amamos e quem nos ama, e saber agradecer. (Frédéric Strauss – Télérama)

É raro ver um filme focado em duas mulheres na segunda metade de suas vidas, enquanto os homens existem apenas como coadjuvantes. "O Reencontro" também é incrivelmente franco em sua abordagem do trabalho e da maternidade. (Kimber Myers – The Playlist)

Com sacadas de humor negro pontualmente inseridas no decorrer de suas duas horas, "O Reencontro" não é simplesmente uma trama sobre os fantasmas do passado. É também um drama que explora as reações de suas protagonistas diante de mudanças tão inesperadas. (Davi Gonçalves – Ccine 10) 


Martin Provost explora com coerência o paralelismo de personalidades tão opostas, mas igualmente solitárias, e vai derivando outros contrastes e novas afinidades que encurtam a distância entre essas duas mulheres extraordinárias em suas vidas comuns. (Fátima Gigliotti – Preview)

Entregue a estas duas grandes atrizes e a um elenco de apoio não menos inspirador, o filme consolida seu relato humanista sem desviar-se nem do humor nem do drama, ainda que evitando exageros. (Neusa Barbosa – Cineweb)

Mesmo transitando por caminhos reconhecíveis e tropeçando em obstáculos mais formais que de conteúdo, "O Reencontro" é uma celebração agridoce dos pequenos instantes de felicidade, das relações reatadas, da urgência dos encontros. (Marcelo Müller – Papo de Cinema) 




sábado, 5 de maio de 2018

VENHA TOMAR UM CAFÉ CONOSCO (Venga a Prendere Il Caffè da Noi) – Itália, 1970 –Direção de Alberto Lattuada – elenco: Ugo Tognazzi, Francesca Romana Coluzzi, Angela Goodwin, Milena Vukotic, Jean Jacques Fourgeaut – 100 minutos.

QUANDO ALBERTO LATTUADA DIRIGIA, AS IRREVERÊNCIAS ERAM PÁGINAS DE ARTE 


Alberto Lattuada muitas vezes foi acusado de ser grosseiro e vulgar. Mas ele nunca recuou diante da grosseria ou da vulgaridade, se isso era importante para o que queria dizer. Emerenziano Paronzini (Ugo Tognazzi, genial e em brilhante interpretação) é o austero inspetor de rendas de uma pequena cidade italiana. Ao saber que após a morte do pai as três solteironas irmãs Tettamanzi herdaram sua fortuna, Emerenziano vislumbra a possibilidade de dar uma grande virada na sua medíocre existência casando-se com uma das irmãs, o que acaba conseguindo. Em pouco tempo estará pulando de uma cama para outra. Mas viver num casarão com 3 mulheres carentes mais uma empregadinha fogosa pode, no final das contas, não ser o paraíso na terra. Mais uma sátira ao machismo e a hipocrisia da sociedade, onde no final aparece um letreiro dizendo que aquela é uma obra de ficção e qualquer semelhança com fatos ou pessoas verdadeiras é mera coincidência, o que no geral significa exatamente o contrário. Um dos melhores exemplos também da importância da montagem na obra do diretor. Uma das melhores comédias de Lattuada!! Imperdível!! 
            

             A MAIS FESTEJADA E ENGRAÇADA COMÉDIA ITALIANA!!!


sexta-feira, 4 de maio de 2018

ARGENTINA (Zonda: Folclore Argentino) Argentina / França / Espanha, 2015 – Direção Carlos Saura – elenco: Pedro Aznar, Juan Falú, Marian Farías Gómez, Gabo Ferro, Liliana Ferrero, Jairo, Luciana Jury, Horacio Lavandera, Luis Salinas, Walter Soria, Jaime Torres – 85 minutos

       PREPAREM-SE PARA VIVER UMA EXPERIÊNCIA INCRÍVEL E ÚNICA!! 

“Argentina” é uma verdadeira declaração de admiração do grande cineasta espanhol, Carlos Saura, à riqueza do folclore argentino, em particular à oriunda da seara musical. Não há no seu percurso de celebração, proposto pelo cineasta espanhol, qualquer inclinação a ancoragens, a aferrar-se demasiadamente a nortes específicos. Passando por diversas vertentes sonoras, ele vai construindo um painel até certo ponto livre, no qual sobressai a magnitude da arte, da herança que atravessa gerações solidificando uma identidade nacional. Carlos Saura é um diretor peculiar, que acredita em um tipo de cinema talvez único na atualidade. Ao invés de desenvolver narrativas, ele explora conceitos através de apresentações de dança e música. Assim foi em vários filmes seus e é também neste “Argentina”.


A música argentina vai além das margens do Rio da Prata. E Carlos Saura – um dos mais importantes cineastas da Espanha, ao lado de nomes como Pedro Almodóvar – sabe bem disso. Nesse belo filme, ele se inspira no vento ‘Zonda’, que sopra com frequência no noroeste do país (e que, inclusive, é o título original do filme). Assim, faz uma viagem de imersão na cultura popular dessa região. E o resultado é de encher os olhos. Aqui, o místico se abraça ao fantástico e às paixões, no qual as cores fortes – o vermelho e o amarelo sobretudo – contrastadas com o escuro predominante do cenário é efervescente e dilacerante. Os atores são colocados em tela para expressar solidão em algumas horas, efusão em outras, fúria nas restantes. É um projeto comovente e com um refinado senso de espetáculo e emoção. Mais uma vez, o cineasta espanhol nos entrega não só uma celebração à música e às diferentes culturas, mas uma ode à vida e suas diferentes e ricas manifestações.


domingo, 29 de abril de 2018

UMA RAZÃO PARA VIVER (Breathe) Inglaterra, 2017 – Direção Andy Serkis – elenco: Andrew Garfield, Claire Foy, Hugh Bonneville, Ed Speleers, Tom Hollander, David Butler, Ben Lloyd-Hughes, Miranda Raison, Andre Jacobs,  Camilla Rutherford, Terry Norton, Charles Streeter, Penny Downie, Amit Shah, Jonathan Hyde, Emily Bevan, David Vilmot, Stephen Mangan – 118 minutos

SEUS GESTOS VASTOS DE INSPIRAÇÃO COMOVIDAMENTE CHEGAM AO CORAÇÃO


"Uma Razão para Viver" é uma história inspiradora, bem contada, e essencialmente uma biografia de um assunto muito meritório, com apenas algumas explosões de estilo estilístico e um par de surpresas menores, na melhor das hipóteses. (Richard Roeper – Chicago Sun-Times)

O filme traz uma história de amor adorável, e embora ele abuse dos efeitos românticos até quase esquecer do drama, Serkis executa um trabalho admirável atrás da câmera e Garfield e Claire Foy trazem atuações muito boas. (Adam Chitwood – Collider) 


Composto por divertidos e inacreditáveis trechos de road movie e uma história real inspiradora e instrutiva (que no entanto não sana as dúvidas mais práticas sobre a rotina com tetraplegia), “Uma Razão Para Viver” é mais um entre tantos dramas de época britânicos sem personalidade, porém operante. Seu grande diferencial é a suavização do romance, que em outras mãos certamente engoliria os desafios da vida pós-poliomielite. (Taiani Mendes – Adoro Cinema)

Se pararmos para pensar, muitos grandes atores de Hollywood já colocaram a mão na massa e dirigiram seus próprios filmes. Clint Eastwood, Sean Penn, Angelina Jolie, Ben Affleck, Tom Hanks, Mel Gibson e Robert Redford são bons exemplos, e agora Andy Serkis pode se considerar um integrante deste time. Arriscando-se do outro lado da câmera (o ator é mundialmente conhecido por suas atuações através da captura de movimentos em “O Senhor dos Anéis e “Planeta dos Macacos), Serkis já prova ser um bom condutor não só com a história que conta mas também com seus atores/personagens – até porque, com Claire Foy e Andrew Garfield, dificilmente o resultado seria negativo. (Barbara Demerov – Cinematecando) 


Uma Razão para Viver torna-se um filme leve, algo que surge da surpresa desse longa não explorar de forma inoportuna a condição de seu protagonista. Ao acompanhar suas tentativas de voltar para casa, ou nas várias investidas para construir uma cadeira de rodas com respirador – algo improvável para época, o filme vai se divertindo com as aventuras daquele homem, como se cada passo fosse uma aventura. No filme de Serkis a vida surge dessa maneira, não no diálogo chantagista com a morte, ou na emoção superficial existente na exploração de uma doença. (Giovanni Rizzo – Observatório de Cinema)